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Ilustra??o por Marta Pucci

Contraceptivos

Conhe?a todas as op??es de contracep??o n?o hormonal

por Kaye Smith PhD, Science Writer for Clue Revisado por Maegan Boutot, Former Science Writer for Clue
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*Tradu??o: Mariana Rezende

Coisas importantes a saber:

  • Há uma variedade de op??es n?o hormonais que variam em custo, eficácia e dura??o

  • Os preservativos s?o o único método contraceptivo que protege contra a gravidez e as ISTs (infec??es sexualmente transmissíveis)

  • N?o existe um método contraceptivo perfeito: o importante é aprender sobre as diferentes op??es e encontrar o método que funciona melhor para você.

Em 1960, o primeiro contraceptivo hormonal, o Enovid, foi aprovado pela FDA e passou a ser conhecido simplesmente como "a pílula". Foi um avan?o para os direitos reprodutivos das mulheres e considerado como o primeiro "medicamento para o estilo de vida". Quando completou 40 anos, a pílula era usada por mais de 200 milh?es de mulheres em todo o mundo (1).

Atualmente, mais de 60% das mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo usam alguma forma de contracep??o (2). Nos EUA, a pílula é o método contraceptivo hormonal mais utilizado (3).

Por que usar contraceptivos n?o hormonais?

Apesar de sua popularidade, os contraceptivos hormonais têm alguns efeitos colaterais e riscos indesejáveis. Está associado a uma maior incidência de cancer de mama, coágulos sanguíneos e derrame.

As pessoas também relatam altera??es no humor, possível diminui??o da libido e aumento do risco de problemas de dor durante as rela??es sexuais ao usar a pílula, embora os estudos n?o concordem se a pílula aumenta esses problemas (4-7). Esses efeitos colaterais levaram algumas pessoas a procurar alternativas sem horm?nios.

Tipos de contraceptivos n?o hormonais

Vamos nos aprofundar em todas as op??es, que incluem:

  • Sexo sem penetra??o e estimula??o externa

  • Métodos de barreira

  • Métodos de consciência da fertilidade/planejamento familiar natural

  • Retirada (coito interrompido)

  • DIUs de cobre (dispositivos intrauterinos)

  • Esteriliza??o

Eficácia dos métodos contraceptivos n?o hormonais

Sexo sem penetra??o e estimula??o externa

O sexo sem penetra??o e estímulos externos se refere a uma ampla gama de atividades sexuais, incluindo beijar, abra?ar, masturba??o (individual ou com outra pessoal), se esfregar, assistir pornografia com outra pessoa e carícias nos seios.

Alguns educadores sexuais definem o sexo sem penetra??o estritamente como nenhuma penetra??o genital ou troca de fluidos corporais (8-9). Outros educadores sexuais s?o mais flexíveis em sua defini??o e limitam a ideia ao sexo sem pênis-vagina, mas permitem o sexo oral ou anal (10).

Um dos maiores problemas do sexo heterossexual é o fato de que "sexo" é resumido a rela??es sexuais vaginais, o que pode n?o proporcionar orgasmos a muitas mulheres. Em um estudo dos EUA com 1.055 mulheres, somente 18,4% conseguiam atingir um orgasmo em rela??es sexuais isoladas, 36,6% precisavam de estímulo clitoriano para ter um orgasmo durante o sexo e outras 36% sentia que a penetra??o aumentava seu prazer (11).

O sexo sem penetra??o e estimula??es externas n?o s?o exclusivos para adolescentes – eles têm o potencial de ser altamente prazeroso para pessoas de todas as idades com diversos graus de experiência.

Qual é a eficácia do sexo sem penetra??o na preven??o da gravidez?

O sexo sem penetra??o e estimula??es externas n?o apenas eliminam o risco de gravidez e reduzem o risco de ISTs (se o contato com fluidos corporais for evitado), como também podem ter uma probabilidade maior de levar ao orgasmo feminino do que a penetra??o isolada.

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Camisinhas externas "masculinas"

As camisinhas est?o entre as formas mais antigas de contracep??o. Os antigos egípcios criaram uma espécie rudimentar de preservativos para cobrir o pênis. No século XVI, preservativos de linho eram usados para prevenir a sífilis. As camisinhas feitas de intestinos de animais se tornaram populares no século XVIII. Hoje em dia, as camisinhas est?o disponíveis em uma ampla variedade de estilos, formas e cores (12).

Qual a eficácia dos preservativos externos na preven??o da gravidez?

Com o uso perfeito, 2 em cada 100 mulheres engravidam em um ano. Com o uso típico, 13 em cada 100 mulheres engravidam (13)

Tipos de preservativos

  • Látex: a maioria das camisinhas é feita de látex. No entanto, você n?o deve usar lubrificantes à base de óleo com preservativos de látex; apenas lubrificantes à base de água ou silicone s?o adequados.

  • Pele de cordeiro: este material natural n?o protege contra ISTs devido à presen?a de poros minúsculos que podem permitir a transmiss?o de infec??es virais. Os preservativos de pele de cordeiro podem ser usados com lubrificantes à base de água, óleo ou silicone.

  • Poliuretano e sintético: mais durável que o látex e, ao contrário do látex, pode ser usado com lubrificantes à base de óleo.

Camisinha interna "feminina"

O preservativo interno ou "feminino" é feito de poliuretano ou nitrilo e inserido na vagina ou anus durante a rela??o sexual. Ele vem equipado com um anel em cada extremidade do preservativo para mantê-lo no lugar e impedir que ele se solte na vagina.

Qual a eficácia dos preservativos internos na preven??o da gravidez?

O preservativo interno (feminino) é tipicamente menos eficaz que o preservativo externo (masculino). Com o uso perfeito, 5 em cada 100 mulheres engravidam em um ano. Com o uso típico, 21 em cada 100 engravidam (13).

Diafragma e capuz cervical

Os diafragmas e capuz cervicais s?o colocados sobre o colo do útero e usados com espermicida. Nenhum dos dois dispositivos est?o disponíveis sem receita. Antes do Caya, um diafragma de tamanho único, os diafragmas tinham que ser ajustados por um(a) médico(a) (12).

Qual é a eficácia dos diafragmas e capuzes cervicais na preven??o da gravidez?

Com o uso perfeito do diafragma (que inclui o uso de espermicida), 16 em cada 100 mulheres engravidam em um ano. Com o uso típico, 17 em cada 100 têm uma gravidez indesejada (13).

Esponja

A esponja contraceptiva deve ser embebida em espermicida e colocada na vagina antes do sexo. Ela deve permanecer lá por seis horas após a atividade sexual. A esponja está disponível sem receita, mas é menos eficaz que o diafragma (12).

Qual é a eficácia da esponja contraceptiva na preven??o da gravidez?

A eficácia também depende de você ter tido uma gravidez com dura??o de pelo menos 22 semanas. Para as mulheres que nunca engravidaram, 9 em 100 engravidar?o em um ano com uso perfeito e 14 em 100 engravidar?o com o uso típico (13).

Para as pessoas que já estiveram grávidas por pelo menos 22 semanas, a taxa de falha é de 20 em cada 100 mulheres com uso perfeito. Com o uso típico, 27 em cada 100 mulheres têm uma gravidez indesejada (13).

Cremes, espumas e supositórios

Estes métodos s?o frequentemente usados em conjunto com preservativos, capuz cervical e/ou diafragma.

Qual é a eficácia das espumas e supositórios contraceptivos na preven??o da gravidez?

Em um ano, cerca de 16 em cada 100 mulheres engravidam com o uso perfeito. Com o uso típico, 21 em cada 100 mulheres engravidam em um ano (13).

Métodos de consciência da fertilidade

Os métodos baseados na percep??o da fertilidade (FAMs) n?o s?o os mais bem vistos. Infelizmente, as pessoas os veem como o n?o confiável método rítmico ou "tabelinha".

Qual a diferen?a entre os FAMs e o método rítimico?

  • Método rítmico (tabelinha): usa a contagem de dias para prever a ovula??o, com o objetivo de evitar o sexo em dias férteis.

  • FAMs: requerem monitoramento de marcadores de fertilidade (por exemplo, muco cervical, mudan?as de temperatura e, às vezes, a posi??o do colo do útero) e uso de prote??o secundária durante dias férteis (14).

Um dos problemas com a tabelinha é que ela é baseado em na teoria falha de que o o ciclo menstrual sempre dura 28 dias, com a ovula??o ocorrendo no 14o dia. Essa ideia gerou muitos pais surpresos e bebês saltitantes.

Muitas pessoas n?o têm ciclos de 28 dias. Os ciclos variam por vários motivos (o estresse pode ser um fator). Além disso, a ovula??o nem sempre acontece ao 14o dia, sobretudo se um ciclo for maior ou menor que 28 dias (12, 14).

Nota: se alguém tem um ciclo regular entre 16 e 32 dias (78% dos ciclos menstruais), os métodos baseados em calendário podem ser eficazes como contraceptivos (12).

Tipos de métodos de consciência da fertilidade

Existem diversos tipos de FAMs, cada uma com suas próprias regras. Dentre eles:

  1. Método de dias padr?o

  2. Método de dois dias

  3. Método de Billings

  4. Método sensiplan/sintotérmico

Também existem aplicativos de fertilidade que podem ajudar a monitorar sua janela fértil. Certifique-se de fazer sua investiga??o: de acordo com pesquisas nesta área, muitos aplicativos de fertilidade n?o s?o baseados em evidências, n?o utilizam FAMs e n?o s?o concebidos para serem usados como contraceptivos (16).

Como funcionam os métodos de consciência de fertilidade?

Existem diversos tipos de métodos de consciência de fertilidade (FAMs). Cada um deles tem regras ligeiramente diferentes. é importante seguir um método oficial.

No entanto, para entender como funcionam os FAMs, você precisará entender também os conceitos básicos do ciclo menstrual. Temos um guia aqui, leia com calma para ter certeza que entendeu o que acontece com o corpo.

Antes de continuar: certifique-se de que você sabe quais s?o as fases do ciclo, o que acontece durante a ovula??o e quais s?o as mudan?as hormonais que acontecem em cada fase.

Indicadores de fertilidade

A maioria das FAMs exige que você observe e registre um ou mais indicadores de fertilidade e evite sexo desprotegido durante a janela fértil (14).

Tais indicadores podem incluir:

  • Dias do calendário

  • Testes de horm?nio luteinizante (LH) (testes de ovula??o)

  • Posi??o do colo do útero

  • Muco cervical

  • Temperatura corporal basal

Posi??o do colo do útero

Insira o dedo indicador e o dedo médio na vagina e sinta o interior do colo do útero (14). Perto da ovula??o, o colo do útero fica mais macio (como os lábios) e mais alto, e a abertura para o útero é maior. Depois da ovula??o, o colo do útero se fecha, fica mais duro (como a ponta do nariz) e desce um pouco.

Muco cervical

Antes da ovula??o, o muco cervical se torna cada vez mais úmido e lubrificante. Perto da ovula??o, esse líquido fica com uma consistência parecida com a da clara de ovo. Essas altera??es podem ser observadas quando você limpa sua vulva (área vaginal) com papel higiênico (14).

O muco cervical é geralmente menos observável e mais seco durante dias n?o férteis. Os espermatozóides podem viver no muco cervical úmido e de qualidade fértil por até 5 dias, mas morrem em quest?o de horas no muco cervical seco e n?o fértil, presente quando os níveis de progesterona s?o altos (14).

Temperatura corporal basal

Após a ovula??o, muitas pessoas notam um aumento na temperatura corporal basal, que pode ser melhor detectada pela manh? com um term?metro.

Qual é a eficácia dos FAMs na preven??o da gravidez?

Mais pesquisas s?o necessárias sobre os métodos de consciência da fertilidade. Uma revis?o sistemática de 2018 sobre a eficácia do FAMs argumentou que s?o sub-pesquisados e que os estudos disponíveis geralmente s?o de qualidade baixa a moderada (17).

A eficácia dos FAMs depende do método.

  • O uso perfeito de FAMs varia de menos de 1 gravidez por 100 mulheres a 5 em 100.

  • O uso típico varia de 2 gesta??es em 100 a 23 gesta??es em 100 (17).

O sucesso do uso de um método de consciência da fertilidade depende de sua diligência em acompanhar os indicadores de fertilidade e de como você se disp?e a renunciar à rela??o sexual ou a usar um método de barreira durante a janela fértil.

Devo usar um método de consciência da fertilidade?

Se alguma das seguintes situa??es se aplicar, talvez os FAMs n?o sejam ideais para você:

  • Você come?ou a menstruar recentemente

  • Você está chegando na menopausa

  • Você acabou de interromper o uso de contraceptivos hormonais

  • Você engravidou recentemente

  • Você n?o tem disposi??o para monitorar a fertilidade diariamente

  • Você pode considerar outras formas de contracep??o, pois essas situa??es podem dificultar a leitura dos sinais de fertilidade (12).

Retirada (ou coito interrompido)

Esse método é controverso, pouco pesquisado e muito comum em certas partes do mundo (18). A retirada é frequentemente considerada como uma forma extremamente ineficaz de contracep??o. A pesquisa apresenta um cenário mais complexo.

  • Uso perfeito: 4 em cada 100 mulheres engravidam em um ano (13). O “Uso perfeito” é definido aqui como retirada do pênis antes da ejacula??o em todas as rela??es sexuais (18).

  • Uso típico: 20 em cada 100 mulheres engravidam em um ano (13).

Uma das principais preocupa??es é se o líquido pré-ejaculatório contém esperma. Algumas pessoas argumentam que a presen?a de esperma acontece devido a uma ejacula??o anterior e que urinar antes do sexo pode aumentar a eficácia.

No entanto, isso pode depender do corpo de cada pessoa. Em um estudo que examinou a presen?a de espermatozóides em 27 voluntários, verificou-se que 11 tinham espermatozóides presentes no líquido pré-ejaculatório. Em 10 desses homens, o esperma era móvel (19).

Como havia várias amostras de líquido pré-ejaculatório coletadas de cada voluntário, os pesquisadores concluíram: "Afigura-se de nosso estudo que alguns homens têm espermatozóides em seu fluido pré-ejaculatório, enquanto outros n?o." (19)

Todos os participantes haviam urinado antes da amostragem, portanto, os resultados n?o se deveram ao esperma residual de uma ejacula??o anterior (19).

DIU de cobre

O DIU de cobre n?o contém horm?nios e pode ser usado por até 10 anos. O dispositivo possui um fino fio de cobre enrolado em sua estrutura plástica e libera íons de cobre. Tais íons geram uma resposta inflamatória no corpo criando um ambiente inóspito para o esperma (20-21).

O DIU de cobre tem as seguintes vantagens:

  • Alta eficácia (menos de 1 em cada 100 mulheres engravidam em um ano com o uso perfeito e o típico)

  • Longa dura??o

  • Remo??o fácil

  • Pode funcionar como contracep??o de emergência (20).

E essas possíveis desvantagens e efeitos colaterais:

  • Deslocamento e migra??o do dispositivo – o DIU é expulso do corpo de até 10% das pessoas que o usam (21)

  • Perfura??o do útero

  • Cólicas

  • Aumento do fluxo menstrual

Aumento do risco de doen?a inflamatória pélvica nos primeiros 21 dias da implanta??o (20). Muitos dos efeitos colaterais diminuem com o tempo. No entanto, por causa das cólicas e do aumento do fluxo, 15% das pessoas deixam de usar o DIU de cobre antes de completar um ano. (22).

Esteriliza??o

O método contraceptivo mais popular nos EUA é a esteriliza??o (3). Este é um procedimento cirúrgico que elimina a possibilidade de concep??o na maioria dos casos.

Assim como a abstinência, a esteriliza??o é a maneira mais eficaz de prevenir a gravidez (10). A esteriliza??o geralmente é escolhida por homens e mulheres que decidiram que n?o querem mais (ou, em alguns casos, nenhum) filho.

Esteriliza??o feminina (laqueadura)

A laqueadura é barata e envolve anestesia local ou geral (10). Para impedir que o óvulo viaje pelas trompas de Falópio e seja fertilizado pelos espermatozóides, as trompas de Falópio s?o cortadas, ligadas ou cauterizadas (23).

Durante um procedimento de minilaparotomia, as trompas de Falópio s?o puxadas através de uma pequena incis?o no abd?men e cortadas, removidas ou grampeadas (23).

Um procedimento de laparoscopia usa um laparoscópio para visualizar os órg?os internos e fechar as trompas de Falópio através de cortes, grampeamentos ou selagens com corrente elétrica. O procedimento geralmente requer duas pequenas incis?es. A recupera??o costuma ser rápida e os efeitos colaterais s?o mais brandos do que na minilaparotomia (24).

A esteriliza??o é um método contraceptivo extremamente eficaz, com menos de uma em cada 100 mulheres engravidando em um ano, com uso perfeito e típico (13). Os riscos incluem a rara possibilidade de gravidez ectópica se ocorrer concep??o (23). A laqueadura é imediatamente efetiva.

Esteriliza??o masculina (vasectomia)

Essa forma de esteriliza??o envolve grampear, cortar ou selar o tubo deferente, que está envolvido no transporte de espermatozóides.

Dentro de 2 a 4 meses, o esperma n?o estará presente no líquido ejaculatório. Será necessário usar contraceptivos nestes meses. As vasectomias s?o mais seguras que as laqueaduras, com os riscos limitados à sangramento e infec??o.

As vasectomias podem ser realizadas com ou sem incis?es cirúrgicas e, assim como na laqueadura, menos de uma pessoa em cada 100 engravidará em um ano (13).

Considera??es finais

é isso, pessoal, essas s?o algumas das op??es. N?o existe um método contraceptivo perfeito que se adapte a todo mundo. O essencial é aprender sobre as diferentes op??es e encontrar a que funciona melhor para você. E isso pode mudar com suas escolhas de vida e com a idade.

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