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Ilustra??o: Marta Pucci

Fertilidade

O que você talvez n?o saiba sobre ovula??o: mitos e dúvidas frequentes

por Nicole Telfer, Science Content Producer
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*Tradu??o: Sarah Luisa Santos

A libera??o mensal do óvulo pelo ovário é um processo fascinante. é algo que as pessoas buscam entender a fundo quando querem engravidar. Mas aprender sobre ovula??o pode te ajudar mesmo que você n?o esteja tentando conceber, já que a ovula??o afeta o seu corpo e o seu cérebro de formas que você nem imagina.

Primeiro, leia nosso artigo introdutório sobre ovula??o para as informa??es básicas sobre o tema. Depois de ler como tudo funciona, você é hora de se aprofundar nos mitos e dúvidas frequentes sobre os quais falaremos abaixo.

Posso ovular duas vezes no mesmo ciclo?

N?o. Apenas uma ovula??o pode acontecer por ciclo menstrual. Você pode, no entanto, ovular dois (ou mais) óvulos ao mesmo tempo. Quando isso acontece, existe a possibilidade de se conceber gêmeos fraternos (n?o-idênticos) se ambos os óvulos forem fertilizados. Mas acontecer de haver óvulos separados e liberados em momentos diferentes no mesmo ciclo, isso n?o ocorre.

Uma vez que você ovulou, seu folículo vazio se transforma em um corpus luteum. Esse corpus luteum é responsável por assegurar que outra ovula??o n?o aconte?a (entre outras coisas). Ele come?a bombeando progesterona, assim como estrogênio e um horm?nio chamado inibina. A concentra??o desses três horm?nios dá uma resposta negativa ao eixo hipopituitário (HPA), que inibe a libera??o de outros três horm?nios: horm?nio estimulante gonadal, horm?nio folículo-estimulante (FSH) e horm?nio luteinizante (LH). Ao suprimir a libera??o destes horm?nios, os folículos n?o v?o desenvolver a ponto de ficarem prontos para liberar outro óvulo (1).

Tomar certos remédios como analgésicos, ibuprofeno ou aspirina pode cessar a ovula??o?

AINEs (anti-inflamatórios n?o esteroides) s?o um grupo de medicamentos usados para tratar dor e diminuir a febre e inflama??o. AINEs s?o usados com frequência para dores de cabe?a, resfriados, cólicas menstruais e artrite. AINEs têm muitos tipos e nomes diferentes, alguns NSAIDS comuns s?o a aspirina e o ibuprofeno.

Esses medicamentos funcionam ao parar a a??o do grupo de enzimas chamadas ciclo-oxigenase 1 e 2 (COX-1 e COX-2) (2). Essas enzimas em particular s?o relacionadas à ovula??o porque elas est?o envolvidas em produzir prostaglandinas (a mesma composi??o hormonal responsável pela sua menstrua??o). Durante a ovula??o, as prostaglandinas também s?o envolvidas na resposta inflamatória necessária para o seu folículo liberar o óvulo. Se o folículo n?o libera o óvulo, a ovula??o n?o pode ocorrer (2).

Em 2015, um estudo anunciou uma baixa dramática na ovula??o em mulheres que estavam tomando esse anti-inflamatórios em doses que precisariam de prescri??o médica, na maioria dos casos (3). Nesta pesquisa, 39 mulheres em idade fértil que sofriam de dor nas costas tiveram um dos três tratamentos diferentes com AINEs, come?ando no décimo dia de seu ciclo menstrual (essa é a fase folicular, antes da ovula??o) (3,4).

Os anti-inflamatórios AINEs usados neste estudo em dose diária foram o diclofenaco (100mg diárias), naproxen (500mg duas vezes ao dia), etoricoxib 90 mg. Na maioria dos países, estes medicamentos e suas doses precisariam de prescri??o médica para serem receitados para dor e dor cr?nica.

Embora esses AINEs sejam da mesma família, os resultados do estudo n?o devem ser comparados quando você toma uma única dose de ibuprofeno de vez em quando. Esses s?o medicamentos fortes que precisam de prescri??o médica e com fortes contra-indica??es (para quem tem uma gravidez, úlceras ou doen?as do fígado) e efeitos colaterais como (e n?o só) trombose cardiovascular e hemorragia gastrointestinal (5,6,7).

Depois de 10 dias consecutivos do tratamento com AINEs, os horm?nios e a saúde folicular das pacientes foram estudados. Muitas das mulheres tomando os anti-inflamatórios AINEs n?o ovularam – elas n?o liberaram um óvulo, em compara??o às mulheres tomando o placebo (3). Quando os AINEs foram removidos, os efeitos foram reversos, e a ovula??o ocorreu normalmente no mês seguinte (3,4).

Outros pesquisadores também notaram esses resultados em ratos e coelhos desde os anos 80 (2). Outro estudo recente com foco na fertilidade e usuários de NSAIDs descobriu que mulheres com artrite reumatoide tomando o NSAIDs inexplicavelmente demoraram mais para ficarem grávidas, se comparadas com as pessoas com AR que n?o estavam tomando NSAIDs. Essa informa??o também sugere que existe uma conex?o entre concep??o e o uso de NSAID (8).

Cientistas suspeitam que essas investiga??es científicas possam ser úteis para as concep??es de emergência num futuro próximo. Mas mais pesquisas seguem necessárias aqui (4).

Uma m?o segurando um celular com o Clue app aberto

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Podemos regenerar nossos óvulos? é possível que novos óvulos sejam criados depois que nascemos?

O dogma científico mais comum sobre o "relógio biológico" feminino é que as mulheres nascem com todos os óvulos que ter?o. Esses óvulos lentamente v?o se expirando à medida que movemos do nascimento até a menopausa – com alguns óvulos sortudos que s?o liberados durante a ovula??o. Essa no??o, no entanto, foi desafiada pelos pesquisadores ao longo da última década.??

Em 2014, uma série de experimentos demonstraram a inconsistência entre o número de oócitos (células imaturas de óvulos) disponíveis em um ovário de um rato no seu nascimento, em compara??o com a quantidade da decomposi??o do folículo (células em desenvolvimento do óvulo) acontecendo ao longo da vida do rato. Havia um desequilíbrio matemático – mais folículos estavam morrendo do que originalmente disponíveis no nascimento. Isso sugeriu que as células oócitas estavam sendo regeneradas depois do nascimento (9).

Outro estudo revelou que as células germinativas (células que podem gerar novos óvulos) em ovários humanos poderiam ser identificadas e extraídas. Essas células germinativas extraídas geraram novas células de óvulos em um laboratório, e também geraram células imaturas de óvulos quando injetadas no tecido ovariano humano enxertado em um rato de laboratório (10).

Até agora, nenhum nascimento humano ou concep??o foram atribuídos diretamente às células germinativas, mas outros avan?os em tratamentos de fertilidade est?o sendo feitos. Cientistas est?o injetando a mitoc?ndria destas células em células mais velhas de óvulos, para promover um aumento em produ??o de energia celular, o que ajudou a aumentar a fertilidade em até 30% (11).

Um estudo de 2016 também demonstrou a regenera??o de células germinativas em ovários humanos, em pessoas sendo tratadas com medicamentos de cancer para linfoma de Hodgkin. Participantes tomando um coquetel quimioterapêutico tinham maior densidade folicular (mais folículos) nos seus ovários do que participantes que n?o tomavam tal medica??o. Quando esses folículos preliminares tratados com quimioterapia foram retirados dos ovários, eles n?o se desenvolveram t?o bem no laboratório em compara??o com as células de ovários n?o tratados (12).

Essas novidades das pesquisas científicas ainda est?o em fase inicial. Há bastante criticismo, desafios e problemas com a reprodu??o destes experimentos sobre células germinativas regenerativa – mais pesquisas s?o necessárias.

Baixe o Clue e acompanha a sua ovula??o.

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